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Prática diária

Técnicas de mindfulness, e o que mindfulness significa de verdade

Fundador, centered spaceEm termos simples, sem incenso6 min de leitura

A maioria das pessoas que diz ser ruim em mindfulness está descrevendo a coisa funcionando direito. A mente vagou, elas perceberam, e trataram esse perceber como prova de fracasso. Esse perceber era o exercício inteiro.

A resposta curta

Mindfulness é prestar atenção no que está acontecendo agora, de propósito, sem julgar de imediato. É essa a definição inteira. Não é esvaziar a mente, não exige ficar sentado parado e não é a mesma coisa que meditação — meditar é um jeito formal de praticar, mas dá para estar em mindfulness caminhando, lavando louça ou esperando a água ferver. Na prática é um ciclo: perceber onde está a sua atenção, perceber que ela se dispersou, voltar. O voltar é a repetição que faz o trabalho.

O que mindfulness significa de verdade

Prestar atenção no que está acontecendo agora, de propósito, sem julgar de imediato. É isso. A definição com que os pesquisadores trabalham é pouco mais complicada: regulação da atenção somada a uma atitude de curiosidade e aceitação diante do que aparecer.

Dois mal-entendidos causam quase todo o estrago. O primeiro é achar que mindfulness significa esvaziar a mente — não significa, e nenhuma prática pede isso de você. O segundo é achar que uma mente que vaga é sinal de que não está funcionando. O vagar é a matéria-prima. Sem a dispersão não haveria nada para perceber nem de onde voltar.

O reenquadre que mais ajuda

Você não está tentando segurar a atenção parada. Você está praticando o retorno. Uma sessão em que você se dispersou quarenta vezes e voltou quarenta vezes são quarenta repetições, não quarenta fracassos.

Mindfulness não é meditação

Meditar é uma prática formal: você separa um tempo, adota uma postura e trabalha a atenção de propósito. Mindfulness é a qualidade da atenção em si, e não precisa de almofada nem de vinte minutos livres.

Dá para estar em mindfulness lavando a louça, indo até o carro ou esperando a água ferver. E dá para meditar por uma hora sem estar especialmente em mindfulness, se você passou o tempo todo planejando o jantar. Meditar é um caminho confiável para o mindfulness. Não é o único, e se ficar sentado parado é a barreira, existem formas de contornar isso.

Essa distinção importa na prática: quem acredita que mindfulness exige meditação costuma concluir que não tem tempo para isso, quando a versão que cabe num dia comum não toma tempo nenhum a mais.

Cinco técnicas que cabem num dia comum

  1. Atenção em um sentido só. Escolha um único sentido e dê um minuto a ele. Só o som, ou só a sensação dos pés. Estreitar para um canal é bem mais fácil do que “estar presente” no abstrato.
  2. A pausa antes de esticar a mão. Quando perceber a mão indo em direção ao celular, pare por uma respiração antes. Este é o mindfulness no seu uso mais útil, e serve também como a técnica STOP.
  3. Nomeie o que está aqui. “Aperto no peito. Pensando em amanhã.” Nomear um estado reduz a intensidade dele de forma mensurável — é o mecanismo por trás de nomear as emoções.
  4. Uma tarefa comum, inteira. Lave uma xícara com toda a sua atenção nela. Não para ser virtuoso, mas porque é uma repetição, e as repetições são o treino.
  5. O corpo, logo ao acordar. Antes de levantar, perceba o que o seu corpo está fazendo. Trinta segundos. O escaneamento corporal é a versão longa.

Nada disso exige acreditar em nada. São exercícios de atenção, e funcionam como exercícios funcionam — por repetição, não por intensidade.

Por que parece que você é ruim nisso

Porque a parte visível da experiência é a dispersão, e a parte útil é invisível. Você percebe os dez segundos que passou pensando num e-mail; você não percebe o instante em que se pegou fazendo isso, que é justamente a parte que treina.

E também é vendido de um jeito ruim. Boa parte do marketing de mindfulness sugere um estado sereno que você deveria alcançar, então a experiência comum — inquieta, entediada, com a cabeça em todo lugar — é lida como prova de que você está fazendo errado. Não está. É assim para quase todo mundo, inclusive para quem pratica há anos.

Onde o mindfulness ajuda, e onde não

As evidências são razoavelmente boas para estresse, para sintomas de ansiedade e para reduzir a ruminação — aquele pensamento em loop que mantém o mau humor rodando. É genuinamente útil, e não é cura para grande coisa.

Não é tratamento para depressão sozinho, não resolve trauma, e para algumas pessoas a atenção próxima ao corpo desestabiliza em vez de acalmar — isso é mais provável se você dissocia, e nesse caso a ancoragem adequada ao entorpecimento é o ponto de partida mais seguro.

Se você pratica há um tempo e se sente pior em vez de mais firme, vale levar isso a sério em vez de insistir. Mindfulness é uma ferramenta. Ouvir que ele é a resposta para tudo é como ele acaba virando mais uma coisa em que você está falhando.

Como começar de verdade

Um minuto, uma vez por dia, grudado em algo que você já faz. Depois de escovar os dentes. Antes de ligar o carro. Prender a prática a um hábito que já existe é o melhor indicador de que ela sobrevive à primeira semana — é o mesmo princípio por trás de fazer uma técnica pegar.

Se a sua atenção está dispersa e não sobrecarregada, voltar ao seu centro é o movimento mais específico. Se ela está barulhenta e física, comece pela ancoragem e volte a isto depois.

Atenção, com algo para segurar.

O Escaneamento Corporal leva a atenção pelo corpo uma zona de cada vez, o 5-4-3-2-1 te ancora no ambiente, os Tons dão a ela uma coisa estável para descansar.

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Perguntas frequentes

O que significa estar em mindfulness?

Prestar atenção no que está acontecendo agora, de propósito, sem julgar de imediato. Não significa esvaziar a mente nem se sentir calmo. Uma mente que vaga não é sinal de fracasso — perceber que ela vagou e voltar é a própria prática.

Qual é a diferença entre mindfulness e meditação?

Meditar é uma prática formal, com tempo separado e a atenção trabalhada de propósito. Mindfulness é a qualidade da atenção, e não precisa de almofada nem de tempo livre — dá para estar em mindfulness lavando a louça ou esperando a água ferver. Meditar é um caminho para o mindfulness, não o único.

Quais são algumas técnicas simples de mindfulness?

Dê um minuto de atenção a um único sentido. Pare por uma respiração antes de pegar o celular. Nomeie o que está presente — “aperto no peito, pensando em amanhã”. Faça uma tarefa comum com atenção inteira. Perceba o que o seu corpo está fazendo antes de sair da cama.

Quanto tempo preciso praticar para funcionar?

Um minuto por dia preso a um hábito que já existe vale mais do que vinte minutos que você nunca faz. A frequência importa mais que a duração, porque o treino está no número de vezes que você percebe e volta, não em quanto tempo fica sentado.

Mindfulness pode piorar as coisas?

Para algumas pessoas, sim. A atenção próxima ao corpo pode desestabilizar quem dissocia ou está lidando com trauma, e mindfulness não é tratamento para depressão sozinho. Se a prática deixa você sistematicamente pior em vez de mais firme, vale levar isso a um profissional em vez de insistir.

Isto não é orientação médica. São técnicas gerais de bem-estar, não tratamento para uma condição médica ou psiquiátrica. Se a ansiedade, o humor baixo ou os pensamentos intrusivos estão afetando o seu dia a dia, converse com um médico ou com um psicólogo. Em crise, procure o número de emergência do seu país ou uma linha de apoio.