Mantras
Mantras e afirmações para acalmar: eles realmente funcionam?
"Só diga a si mesmo que está tudo bem" pode soar vazio, e às vezes sai pela culatra. Aqui está o que a pesquisa realmente diz sobre mantras e afirmações, e como escrever os que fazem efeito.
A resposta curta
Mantras e afirmações para acalmar podem funcionar, mas só quando são acreditáveis. A pesquisa mostra que declarações grandiosas em que você não acredita ("eu não tenho medo de nada") podem sair pela culatra, enquanto as enraizadas em valores ("isto é difícil, e eu consigo lidar com coisas difíceis") realmente estabilizam você. Mantenha-os gentis, no tempo presente e fiéis a quem você é.
Mantra, afirmação, litania: qual é a diferença?
Eles se sobrepõem, mas de forma geral: um mantra é uma frase curta que você repete para estabilizar e focar a mente. Uma afirmação é uma declaração sobre você mesmo ou sobre seus valores. Uma litania é um conjunto de linhas que você percorre em ordem, um pequeno roteiro em que se apoiar num momento difícil. As três são formas de diálogo interno estruturado e intencional.
Eles funcionam? Sim, com uma ressalva de verdade
Existe ciência genuína por trás da autoafirmação. Quando é focada nos seus valores, no que importa para você, ela pode reduzir mensuravelmente o estresse e a defensividade (esse é um trabalho bem estudado, de pesquisadores como Claude Steele e, depois, Cohen e Sherman).
Mas aqui está a ressalva que a maioria dos conselhos de "só pense positivo" pula: um estudo de 2009, de Wood, Perunovic e Lee, descobriu que declarações positivas grandiosas podem sair pela culatra. Quando pessoas com baixa autoestima repetiam coisas como "eu sou uma pessoa digna de amor" em que na verdade não acreditavam, muitas vezes se sentiam piores, não melhores. Sua mente sinaliza a distância entre as palavras e a verdade, e reage.
Então o objetivo não é ser grandioso, é ser acreditável. É assim que a terapia cognitivo-comportamental (TCC) também trata o diálogo interno: realista e equilibrado vence cegamente positivo.
Como escrever um mantra que funciona
- Acreditável em vez de grandioso. "Isto é difícil, e eu consigo lidar com coisas difíceis" vence "eu não tenho medo de nada."
- Gentil e no tempo presente. Fale consigo mesmo do jeito que falaria com alguém que ama.
- Valores, não só humores. "Eu consigo fazer a próxima coisa certa" aponta para algum lugar, mesmo quando você se sente péssimo.
- Seu. A frase que você escreve para si mesmo quase sempre vence uma que te entregaram pronta.
Monte uma litania para o momento difícil
Encadeie algumas linhas numa ordem que te conduz: nomeie, estabilize, aponte para um próximo passo. Por exemplo, "Isto é uma onda. Já enfrentei ondas antes. Só preciso da próxima respiração." Guarde num lugar de fácil acesso, antes de precisar.
Alguns mantras para acalmar, prontos para usar
- "Esse sentimento é desconfortável, mas não é perigoso, e vai passar."
- "Já atravessei momentos difíceis antes. Consigo atravessar este também."
- "Não preciso resolver tudo agora."
- "Eu consigo fazer a próxima coisa certa."
Combine um deles com um suspiro fisiológico ou um momento de ancoragem para dar mais força a ele.
Mantras para situações específicas
- Para a raiva: "Eu posso estar com raiva e ainda escolher como agir." "Esse sentimento é informação, não uma instrução."
- Para o luto: "Não preciso estar bem agora." "Sentir falta é a forma que o amor assume agora."
- Para a autodúvida: "Não preciso me sentir pronto para começar." "Um passo honesto conta mais do que um plano perfeito."
- Para o pânico: "Isso é o meu corpo, não o meu julgamento, soando um alarme." "Vai chegar ao ápice, e depois vai passar."
Dizer em voz alta ou na sua cabeça
Em voz alta costuma funcionar melhor quando você consegue, porque envolve sua voz e sua audição além do pensamento, o que torna a frase mais difícil de passar batido do jeito que uma repetição silenciosa pode virar. Se falar em voz alta não for possível, mover os lábios ou escrever as palavras captura parte do mesmo efeito. O momento importa mais do que as pessoas esperam, também: dito uma vez, calmamente, antes de um pico costuma fazer menos do que a mesma linha repetida devagar três ou quatro vezes já no meio do momento, quando sua mente tem algo para segurar em vez de girar.
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As afirmações realmente funcionam?
Às vezes, com uma ressalva. A autoafirmação baseada em valores tem pesquisa sólida por trás para reduzir o estresse. Mas declarações grandiosas em que você não acredita (como "sou totalmente confiante") podem sair pela culatra e fazer pessoas com baixa autoestima se sentirem piores. O que funciona é uma frase acreditável, baseada em valores.
O que faz um bom mantra para acalmar?
Acreditável, gentil, no tempo presente e enraizado nos seus valores em vez de num humor forçado. "Isto é difícil, e eu consigo lidar com coisas difíceis" funciona melhor do que "eu não tenho medo de nada", porque sua mente não rejeita isso como mentira.
Qual é a diferença entre um mantra e uma afirmação?
Um mantra é uma frase curta que você repete para estabilizar a mente. Uma afirmação é uma declaração sobre você mesmo ou sobre seus valores. Uma litania é um conjunto de linhas que você percorre em ordem, como um pequeno roteiro para um momento difícil. Todas são formas de diálogo interno estruturado.
Devo dizer um mantra em voz alta ou na minha cabeça?
Em voz alta costuma funcionar melhor quando você consegue, porque envolve sua voz e sua audição além do pensamento, tornando a frase mais difícil de passar batido. Se isso não for possível, mover os lábios ou escrever as palavras captura parte do mesmo efeito. Repetir devagar algumas vezes quando você já está no meio do momento funciona melhor do que dizer uma vez, calmamente, antes.
Isto não é orientação médica. Mantras são uma ferramenta de autoajuda, não um tratamento. Se a ansiedade ou a baixa autoestima estiver pesando em você, um terapeuta pode ajudar. Se estiver em crise, procure o número de emergência do seu país ou uma linha de apoio local.
Fontes
- Steele, C. M. (1988). The psychology of self-affirmation. Advances in Experimental Social Psychology (em inglês).
- Cohen, G. L. & Sherman, D. K. (2014). The psychology of change: self-affirmation. Annual Review of Psychology (em inglês).
- Wood, J. V., Perunovic, W. Q. E. & Lee, J. W. (2009). Positive self-statements: power for some, peril for others. Psychological Science (em inglês).